domingo, 13 de janeiro de 2008

DESESPERO


Não eram meus os olhos que te olhavam

Nem este corpo exausto que despi

Nem os lábios sedentos que poisavam

No mais secreto do que existe em ti.

Não eram meus os dedos que tocaram

Tua falsa beleza, em que não vi

Mais que os vicios que um dia me geraram

E me perseguem desde que nasci

Não fui eu que te quis. E não fui eu

Que hoje te aspiro e embalo e gemo e canto,

Possesso desta raiva que me deu

A grande solidão que de ti espero.

A voz com que te chamo é o desencanto

E o espermen que te dou, o desespero.

POETA: JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS

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